A série Grand Theft Auto alcançou um estatuto de ícone nos videojogos, tornando-se maior do que tudo.
Se há dúvidas quanto a isto, basta olhar para as vendas de Grand Theft Auto 5, o título mais recente da série, que sozinho vendeu 90 milhões de unidades. É um dos jogos mais vendidos de sempre, ficando apenas atrás de Tetris e de Minecraft.
Ninguém diria em 1997, quando o primeiro Grand Theft Auto foi lançado, que uns anos mais tarde esta seria uma das propriedades intelectuais com mais impacto dos videojogos, mas foi isso que aconteceu.
O papel da série Grand Theft Auto para os jogos em mundo aberto, que hoje se tornaram tão populares e comuns, foi crucial. Apesar de várias tentativas de terceiros para oferecer algo semelhante, até hoje os jogos Grand Theft Auto continuam a ser únicos.
É por isso que nos pareceu apropriado organizar uma lista que classifica os melhores jogos Grand Theft Auto, dos piores para os melhores. A lista não inclui todos os jogos Grand Theft Auto já alguma vez lançados por uma simples razão: não jogámos todos os spinoffs, e portanto não nos sentimos confortáveis em classificá-los.
Dito isto, a lista inclui todas as entradas na série principal, que são sem dúvida as mais importantes.

8. Grand Theft Auto - PC, PS1, Gameboy Color (1997)

O primeiro Grand Theft Auto teve um papel fundamental: lançar a série para o mercado, que mais tarde se tornou naquilo que hoje conhecemos. No entanto, apesar de ser o pai de todos os Grand Theft Auto que vieram depois, é também o pior jogo. Com uma perspectiva de cima para baixo e gráficos 2D, o jogo decorria em três cidades distintas: Liberty City, San Andreas e Vice City, que mais tarde serviram como palco para outros jogos da série.
O tom criminal da série também foi estabelecido com o primeiro jogo, colocando o jogador a realizar vários trabalhos para NPCs, como roubar carros e matar pessoas importantes. Este conceito também acabou por ser reutilizado mais tarde, no entanto, no primeiro Grand Theft Auto, a progressão era feita ao acumular pontos em cada nível.
Apesar dos gráficos 2D, naquela altura os jogos com este tipo de liberdade não eram comuns e, apesar de não ter registado o sucesso estrondoso que os títulos da série hoje têm, não passou despercebido e estabeleceu as bases para a série Grand Theft Auto: a liberdade para percorrer a cidade e causar destruição, completar missões para figuras do mundo do crime, e claro, roubar qualquer veículo que nos aparece à frente.
Porque razão está em oitavo? Não foi um mau jogo para altura, mas é sem dúvida o pior de todos os GTA nesta lista.
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Foi com estes gráficos que a série Grand Theft Auto começou.

7. Grand Theft Auto 2 - PC, PS1, Gameboy Color, Dreamcast (1999)

Cerca de dois anos após o original, foi lançada uma sequela de Grand Theft Auto. Este é o único jogo da série que não decorre numa cidade específica. O local onde decorre o jogo é referido apenas como Anywhere, USA. Para além disto, diferente do original, foi adoptado um estilo retro-futurista, embora a fórmula original, com foco na liberdade e na possibilidade do jogador fazer aquilo que bem entender, tenha sido mantida.
Grand Theft Auto 2 melhorou perante o original, introduzindo missões para facções, o que permitia ganhar mais pontos do que qualquer outra actividade no jogo, e actividades secundárias como conduzir táxis, ambulâncias e camiões. Mais uma vez, estes elementos foram preservados para futuros jogos da série e ajudaram a moldar o significado de Grand Theft Auto.
"Este é o único jogo da série que não decorre numa cidade específica"
Mas mais importante, a sequela introduziu comportamentos para os NPCs que passeavam pelas ruas. Enquanto se deslocam pela cidade podem ver pessoas a entrar em autocarros e, por vezes, até ocorrem lutas entre a polícia e os gangues da cidade. Apesar de uma série de melhorias, Grand Theft Auto 2 manteve-se próximo do jogo anterior, não revolucionando a formula.
Porque razão está em sétimo? Consegue ser melhor do que o seu antecessor e introduziu novidades e melhorias significativas, mas continua a ser pior de que todos os GTA que surgiram depois.

6. Grand Theft Auto: Chinatown Wars - Nintendo DS, PSP, iOS, Android (2009)

É um jogo que foi desprezado por uma simples razão: voltou às raízes quando Grand Theft Auto já tinha entrado na era do 3D. Todavia, não deve ser descartado. Na realidade, é uma experiência agradável para um jogo portátil e que até introduziu alguns conceitos interessantes que nunca transitaram para os jogos da série principal.
Com gráficos em Cel shading, que lhe garantia um estilo parecido a um livro de banda desenhada, Grand Theft Auto: Chinatown Wars foi desenvolvido de raiz para a Nintendo DS e usou o ecrã inferior da portátil para implementar mini-jogos de desenhar tatuagens, realizar tráfico de drogas e até para fazer ligação directa aos carros estacionados na rua.
Chinatown Wars decorre em Liberty City, mas contrariamente a Grand Theft Auto 3 e a Grand Theft Auto 4, dá destaque às Tríades colocando-nos no papel de Huang Lee, o filho de um chefe das Tríades que foi recentemente assassinado. Portanto, apesar de ter adoptado o estilo original, tinha uma estrutura e história muito parecidas com os títulos mais recentes da série.
A estreia na Nintendo DS não obteve os resultados que a Rockstar Games esperava, que mais tarde acabou por adaptar o jogo a outras plataformas como a PSP e dispositivos iOS e Android. Estas versões tinham ligeiras alterações devido à questão do segundo ecrã da Nintendo DS.
Porque razão está em sexto? É largamente superior aos dois primeiros GTA, mas mais uma vez, perante a escala e ambição dos outros jogos da série, dificilmente consegue competir. No entanto, se nunca o jogaste e gostas de GTA, devias considerar dar-lhe uma oportunidade.

5. Grand Theft Auto III - PC, PS2, Xbox, iOS, Android (2001)

Este foi o jogo que transformou para sempre o mundo dos jogos em mundo aberto. Quando chegou às lojas a 22 de Outubro de 2001 para a PlayStation 2, Grand Theft Auto III mudou para sempre os videojogos. Foi o primeiro jogo da série com uma câmara e mundo a três dimensões mas não só, expandiu a área jogável, o número de actividades e, no geral, todos os elementos que estavam presentes nos jogos anteriores da série.
O design em mundo aberto já vinha dos jogos anteriores, mas a possibilidade de explorar uma cidade com Liberty City a três dimensões foi revolucionário naquela altura, já para não falar a vivacidade do ambiente era inacreditável para aquela altura. Pela primeira vez foi abandonada a estrutura por pontos para progredir, tendo sido trocada por uma estrutura de missões em que íamos conhecendo várias figuras do mundo criminoso da cidade.
Liberty City, cidade fictícia inspirada em Nova Iorque mas também por outras cidades norte-americanas como Detroit, Chicago e Filadélfia, era composta por três ilhas, que iam ficando desbloqueadas à medida que o jogador progredia na história. Para facilitar a progressão, em cada ilha os jogadores tinham acesso a uma casa onde podiam gravar o jogo.
"Este foi o jogo que transformou para sempre o mundo dos jogos em mundo aberto"
A influência da indústria cinemática teve um papel importante na identidade de Grand Theft Auto 3 (e nos restantes títulos da série, com viemos a descobrir mais tarde), com os seus criadores a confirmarem que filmes como The Goodfellas e a série The Sopranos influenciaram o ambiente de Liberty City (principalmente na máfia italiana, um dos gangues da cidade).
Porque razão está em quinto? Grand Theft Auto III foi uma revolução perante os seus antecessores e apresentou-nos a série tal como a conhecemos hoje. O seu papel foi fundamental e continua a ser um dos jogos mais influentes de sempre. Contudo, a Rockstar conseguiu fazer títulos muito melhores no futuro, tal como descobrirás na próxima página.

4. Grand Theft Auto V - PC, PS4, Xbox One, PS3, Xbox 360 (2013)

O título mais recente da série Grand Theft Auto é sem dúvida o mais vendido e continua a ser popular quase cinco anos depois do lançamento, no entanto, não o considerámos como o melhor título da saga.
Grand Theft Auto V tem a seu favor a possibilidade de trocarmos rapidamente entre três protagonistas, uma estreia na série, bem como uma cidade inspirada em Los Angeles altamente detalhada e cheia de vida. Neste aspecto, é um novo pináculo para a série e nenhum dos jogos anteriores lhe chega perto.
Juntamente com os três protagonistas - Michael, Trevor e Franklin - a Rockstar Games criou um novo tipo de missões: os Heists (assaltos). Antes destas missões épicas, os jogadores ficavam encarregues de tomar decisões relativas ao plano, como qual a pessoa a contratar e qual o rumo a seguir.
"A sua mais valia é o modo GTA Online, que manteve o jogo vivo durante anos a fio"
Mas nem sempre mais significa melhor, e no processo de introduzir três protagonistas, a Rockstar Games não conseguiu criar personagens e uma história tão marcante como em jogos anteriores. O jogo também peca pela falta de conteúdos single-player após a conclusão da história, perdendo aqui para títulos anteriores como Vice City e San Andreas.
A sua mais valia é o modo GTA Online, que manteve o jogo vivo durante anos a fio. Aqui a Rockstar Games fez um trabalho fantástico, criando actualizações gratuitas constantes e adicionando novos conteúdos para manter os fãs entretidos. É por isto que Grand Theft Auto 5 vendeu mais de 90 milhões de unidades.
Porque razão está em quarto? A cidade de Los Santos é impressionante e em determinadas áreas é quase como se estivéssemos em Los Angeles. Apesar de inovações como três personagens jogáveis e os Heists, no geral é um jogo menos marcante do que outros.

3. Grand Theft Auto IV - PC, Xbox 360, PS3 (2008)

É o jogo que sucedeu a San Andreas na PlayStation 2 e que geralmente divide os fãs de Grand Theft Auto. Há quem adore Grand Theft Auto IV, mas também há aqueles que não gostaram da direcção pela qual a Rockstar Games optou, escolhendo um tom mais sério e sombrio.
"O salto tecnológico permitiu à Rockstar expandir a cidade e aumentar o nível de realismo"
Da nossa parte, Grand Theft Auto IV está entre os melhores. Com este capítulo, que estreou a série na geração da alta definição, a Rockstar Games foi arrojada o suficiente para escolher um protagonista Servo (pela primeira vez na história tivemos um protagonista não-americano).
Tal como Grand Theft Auto III uns anos antes, Grand Theft Auto IV decorria em Liberty City na modernidade. O salto tecnológico permitiu à Rockstar expandir a cidade e aumentar o nível de realismo, catapultando a série para uma nova geração e, tal como já o tinha feito anos antes, elevando a fasquia para os jogos em mundo aberto.
Embora Grand Theft Auto V tenha sido lançado uns anos depois, fica a perder em vários factores como sistema de física, realismo, quantidade de interiores e outros pormenores impressionantes que Grand Theft Auto IV tinha para a altura em que foi lançado.
Apesar do salto tecnológico, Grand Theft Auto IV perdeu vários elementos de jogabilidade e funcionalidades em relação a Grand Theft Auto: San Andreas, uma das razões pela qual alguns reagiram negativamente ao jogo. Por outro lado, foi o único Grand Theft Auto a receber duas grandes expansões: The Lost and the Damned e The Ballad of Gay Tony.
Porque razão está em terceiro? A história de Nico Bellic e do seu primo Roman para alcançarem o "Sonho Americano" ainda está presente nas nossas memórias. Adorámos a direcção que a Rockstar Games seguiu com este jogo, ainda que tenhamos sentido a falta de algumas das actividades secundárias de San Andreas.

2. Grand Theft Auto: Vice City - PC, PS2, Xbox, iOS, Android (2002)

Foi um jogo extraordinário por várias razões. A primeira é que foi desenvolvido em apenas um ano. É difícil acreditar que um jogo desta escala tinha sido concluído em tão pouco tempo, mas não estamos a inventar. Grand Theft Auto: Vice City foi lançado para as lojas a 29 de Outubro de 2002, cerca de um ano depois de Grand Theft Auto III.
Em grande parte, Vice City era semelhante ao seu antecessor, mas a febre dos anos 80, a carismática cidade inspirada em Miami e a sua atmosfera envolvente transformaram-no num dos jogos favoritos dos fãs. Se Grand Theft Auto III já tinha sido influenciado pelo cinema, Vice City demonstrou-o ainda mais, com uma inspiração óbvia no filme Scareface, principalmente numa mansão que era praticamente idêntica à do filme. A série Miami Vice também foi uma referência constante entre a equipa de produção.
Aproveitando a onda de sucesso de Grand Theft Auto III, a Rockstar Games não olhou a despesas e contratou o actor Ray Liotta para emprestar a sua voz ao protagonista, Tommy Vercetti. Naquela altura, Vice City tornou-se no jogo mais caro de sempre para a Rockstar Games, com um orçamento de $5 milhões. O investimento e esforço compensaram, com Vice City a conseguir superar o jogo anterior.
"Grand Theft Auto: Vice City é um dos jogos mais marcantes da série graças à sua poderosa atmosfera dos anos 80"
Em comparação com Liberty City, Vice City tinha mais vida e a história tinha mais consistência e envolvência do princípio ao fim. O facto do protagonista ter um nome e voz (algo que não aconteceu em Grand Theft Auto III) ajudou. Pelo meio, foram introduzidas outras melhorias ao nível da física, controlos e gráficos, o que solidificaram Vice City como um dos melhores jogos da sua época.
Os fãs adoraram o facto de se poder comprar propriedades e de haver missões específicas para cada uma delas, prolongado muito mais a duração do jogo. A Rockstar também acrescentou algumas armas particularmente violentas, como a Machine Gun e a moto-serra, cimentando a má reputação que Grand Theft Auto já tinha adquirido no incentivo à violência.
Porque razão está em quarto? Grand Theft Auto: Vice City é um dos jogos mais marcantes da série graças à sua poderosa atmosfera dos anos 80 e evolução significativa perante o seu antecessor. Embora os jogos mais modernos sejam mais evoluídos tecnicamente, a Rockstar Games ainda não conseguiu criar algo com um ambiente tão vibrante.

1. Grand Theft Auto: San Andreas - PC, PS2, Xbox, iOS, Android (2004)

Se calhar quando abriste o artigo, já estavas à espera de ver Grand Theft Auto: San Andreas em primeiro. De facto, são muitos os fãs que o consideram como o melhor exemplo da série Grand Theft Auto. Nós estamos de acordo.
Apesar de a Rockstar Games ter optado por seguir um tom mais sério com Grand Theft Auto IV, e do qual nós gostámos, a realidade é que, tanto em diversão como na variedade de actividades, San Andreas continua sem igual até aos dias de hoje.
Dando continuidade à linha de Vice City, que nos levada para uma época do passado, San Andreas transportou-nos para Los Santos na década de 90, apoiando-se na cultura dos gangues, na corrupção policial, no racismo e em tudo aquilo que marcou a cidade de Los Angeles durante aquela época.
San Andreas expandiu como nunca antes a fórmula de Grand Theft Auto, adicionando novos veículos como bicicletas e o famoso jetpack, estatísticas RPG que controlavam a aparência da personagem (podíamos ficar gordos, magros ou musculados), cortes de cabelo, tatuagens, e uma grande variedade de armas, incluindo um dildo roxo (é um exemplo parvo, mas é um prova da variedade enorme que o jogo tinha).
Los Santos era o palco principal, mas o mapa era composto por outras duas cidades: San Fierro (inspirada em São Francisco) e Las Venturas (inspirada em Las Vegas). Até hoje continua a ser o único Grand Theft Auto da era moderna a incluir três cidades de grande escala.
Porque razão está em primeiro? É o melhor exemplo da série Grand Theft Auto e da fórmula que a Rockstar Games criou. Não é o jogo mais evoluído e refinado da lista, até porque já foi lançado em 2004, mas faz parte de uma era dourada que a Rockstar Games não conseguiu atingir nas duas últimas gerações.